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Defensora Pública participa de Roda de Diálogo sobre o encarceramento de mulheres no Piauí

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Publicado em 04, junho de 2019 às 11:34
Dra. Irani Albuquerque e demais convidados para a Roda de Diálogo

Dra. Irani Albuquerque e demais convidados para a Roda de Diálogo

A Defensora Pública Dra. Irani Albuquerque Brito, titular da 4ª Defensoria Pública do Sistema Prisional, foi uma das expositoras na Roda de Diálogo Conversando sobre Mulheres e o Cárcere, que foi realizada pelo Grupo Matizes no Memorial Esperança Garcia, no último sábado (1º), dentro do Projeto a Liberdade é Lilás.

A ação teve por objetivo abrir o diálogo com gestores públicos e ativistas do Movimento Social sobre o encarceramento feminino, visando sensibilizá-los e desenvolver ações pelo desencarceramento em massa.

“Estamos aqui visando criar inquietude com a questão da mulher no cárcere e, a partir dessa inquietude, tentar encontrar saídas para minimizar a violência e a rudeza que é uma pessoa estar encarcerada”, explicou Marinalva Santana, do Grupo Matizes.

Na oportunidade foi feita leitura cênica de microcontos produzidos pelas reeducandas da Penitenciária Feminina de Teresina, que também deram depoimentos sobre suas histórias de vida. “Me senti privilegiada por ter recebido esse convite, porque é importante a sociedade saber esclarecimentos que desconhece. Não posso julgar o que desconheço. Eu, como ex-presidiária, ainda sou muito manchada, muitas pessoas me olham diferente, não aceitam que eu possa ter mudado. Então, quando eu participo, é como se eu estivesse abrindo mais uma página da minha vida e expondo para que a sociedade me conheça melhor”, declarou E.N., uma das integrantes da Roda de Diálogo.

“Essa Roda de Diálogo, mais uma vez, põe em relevância a questão do encarceramento feminino no Estado do Piauí. Esse momento é importante porque, quando se discute, se torna visível uma demanda e um problema que a cada dia se agrava mais aqui no Estado, ou seja, o encarceramento feminino em massa e sem muitos critérios, em total desrespeito à Constituição e às normas e tratados internacionais, a exemplo das Regras de Bankok. Tal tema é relevante também sob a ótica da proteção da criança e do adolescente, posto que ao encarcerar mulheres, acaba-se aprisionando e cerceando direitos de toda a família, especialmente filhos, netos e etc. Assim, dialogar sobre isso, coloca em evidência essa situação e traz para o debate toda a sociedade”, afirmou Dra. Irani Albuquerque.