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Defensoria traz para o debate a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência

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Publicado em 04, junho de 2019 às 14:16
Palestra sobre combate à violência contra crianças e adolescentes

Palestra sobre combate à violência contra crianças e adolescentes

A Defensora Pública Dra. Karla Cibele Teles de Mesquita Andrade, titular da 2ª Defensoria Pública da Infância e da Juventude, ministrou palestra nesta terça-feira, dia 04 de junho, para os assistidos pela Defensoria Pública que aguardavam na Diretoria de Primeiro Atendimento. A Defensora Pública abordou o tema da violência cometida contra crianças e adolescentes, em alusão ao transcurso do Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão. Também participaram do momento a Subdefensora Pública Geral, Dra. Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior e a advogada e acadêmica de psicologia, Amanda Cavalcante Atílio Veras, que escolheu a Defensoria Pública para apresentar trabalho desenvolvido nessa área como parte de disciplina de conclusão de curso.

Ao discorrer sobre o tema, Dra. Karla Cibele Andrade destacou a atenção para as medidas de proteção, já previstas pela Organização das Nações Unidas para acrianças e adolescentes que se encontrem em risco social. “Esse dia de combate e enfrentamento é um momento para se refletir e se informar. Para pensar as crianças e adolescentes como um público muito vulnerável e indefeso, que necessita dessa proteção. Importante dizer que antigamente as crianças passavam por uma invisibilidade, nem sequer eram contadas, a não ser em raríssimas exceções. E mais triste é saber que até os dias atuais, muitas vezes, elas não têm voz. Contudo existe legislação própria para proteção dessa parcela da população, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a própria Constituição de 88, que  já vê crianças e adolescentes como sujeitos de direito”, explicou.

“Nós, como adultos, como sociedade, não podemos nos omitir frente a casos de agressão contra crianças e adolescentes. Todo cidadão que tomar conhecimento de um caso desses deve denunciar. Para isso existem inúmeros canais, como o Disque 100, o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública. O denunciante é resguardado pelo anonimato, portanto ninguém precisa temer tomar essa atitude. E é preciso denunciar, até porque existe o agravante que o local onde a criança mais deveria se sentir segura, dentro de casa, é onde ela sofre maior violência, e também que essa violência não é somente física, como espancamentos, maus tratos, encarceramentos, queimaduras, abuso sexual pode ser também psicológica, sócio econômica, como o trabalho infantil, negligências, pode ser ate por meio de alienação parental, alertou Dra. Karla Cibele Andrade.

A Defensora também chamou atenção para o acompanhamento das crianças e adolescentes em seu cotidiano “É necessário ficar atento a mudanças, que possam mostrar que a criança ou adolescente está sendo vítima de maus tratos, como agressividade repentina, tristeza ou abatimento. Nesses casos é fundamental buscar conversar com elas, para que se sintam seguras e relatem seus temores e para que qualquer violência possa ser refreada, não interferindo na formação daquela pessoa,  pois está comprovado por estudos que crianças que foram vítimas de agressão podem se tornar adultos violentos. Por isso precisamos fortalecer a criança, mostrar que ela pode resignificar qualquer violência que tenha lhe ocorrido e,  principalmente, lembrar que o amor vence todas as barreiras. Todo ser humano que se  sente  amado é seguro e fortalecido” pontuou.

Palestra alerta sobre a proteção à crianças e adolescentes vítimas de violência

Palestra alerta sobre a proteção à crianças e adolescentes

Amanda Cavalcante Atílio Veras  chamou a atenção para as políticas públicas que ajudam a amparar  as crianças vitimas de violência, coagidas, às quais falta coragem para externar o que vêm passando. “Por isso é importante estar atento. Procurar a rede assistencial. As pessoas precisam saber, por exemplo, de todos os mecanismos disponíveis que representam proteção para a criança e o adolescente, que vão desde as vacinas , alimentação, proteção, todos os aspectos que constituem a integralidade da criança. Acho interessante pontuar que muitas vezes trabalhamos o combate, mas importa também  trabalhar a prevenção. A nossa intenção hoje foi trazer à luz  a disponibilidade da políticas publicas que existem hoje em Teresina e que amparam essa prevenção. Existe todo um material disponível que a pessoa pode ter acesso, pelas quais se pode entender desde a constituição do sujeito e a integralidade do eu, até as informações úteis de combate e denúncias. Existe a rede de proteção, existem os CRAS e CREAS e, cada um de vocês, pode ser um agente de transformação nesse processo”, disse.

“Ao trazemos para o conhecimento do nosso público assistido temas relevantes, que necessitam ser conhecidos, discutidos e para os quais muitas atitudes podem ser tomadas, estamos cumprindo nosso papel de educação em direitos e colaborando para a formação de uma sociedade mais justa, na qual as parcelas mais vulneráveis possam ter sua integridade respeitada e fortalecida. No caso das crianças e adolescentes, essa proteção necessita de uma atitude imediata, que muitas vezes tem como significado a preservação da vida. Muito feliz a abordagem feita pela Dra. Karla Cibele Andrade e pela Amanda Cavalcante Atílio Veras. Realmente precisamos, cada um de nós, nos tornar agentes de proteção dessa parcela tão  vulnerável da nossa população”, disse Dra. Carla Yáscar Belchior.