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Mulheres Plurais 2020

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Publicado em 04, março de 2020 às 12:16

Djamila Ribeiro

Filosofa, feminista, escritora e acadêmica brasileira, Djamila Taís Ribeiro dos Santos nasceu em 1 de agosto de 1980 em Santos (SP) e tornou-se conhecida por seu ativismo.

Nome mais conhecido quando se fala em ativismo negro no Brasil, Djamila Ribeiro é presença ativa nas timelines, acumulando mais de 400 mil seguidores no Instagram, contudo a sua voz ecoa para muito além das redes sociais, já que é presença constante nos crescentes espaços de debate sobre os movimentos das mulheres e na luta por diversidade.

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O contato com a militância iniciou ainda menina, por influencia do próprio pai, homem culto, apesar do pouco estudo formal, que foi o responsável pela escolha do nome de origem africana, Djamila. Aos 18 anos se envolveu com a Casa da Cultura da Mulher Negra, uma organização não governamental santista, e passou a estudar temas relacionados a gênero e raça.

Djamila Ribeiro graduou-se em Filosofia pela Unifesp, em 2012, e tornou-se mestre em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista. Em 2005, interrompeu uma graduação em Jornalismo. Suas principais atuações são nos seguintes temas: relações raciais e de gênero e feminismo. É colunista online da CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista Azmina e possui forte presença no ambiente digital, pois acredita que é importante apropriar a internet como uma ferramenta na militância das mulheres negras. Entre seus muitos feitos, estão participações em programas no GNT e Canal Futura, tendo sido nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo em 2016.


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Em 2018, foi convidada entre 51 autores, oriundos de 25 países, a contribuir para Os papéis da liberdade (“The Freedom Papers”). Ao longo de sua trajetória, recebeu algumas premiações como Prêmio Cidadão SP em Direitos Humanos, em 2016. Trip Transformadores, em 2017. Melhor colunista no Troféu Mulher Imprensa em 2018, Prêmio Dandara dos Palmares e está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo de 40 anos, segundo a ONU. Também é conselheira do Instituto Vladimir Herzog e visitou a Noruega a convite do governo Norueguês para conhecer as políticas de equidade de gênero do país, em 2017. Foi escolhida como “Personalidade do Amanhã” pelo governo francês em 2019. Fez consultoria de conteúdo para a marca Avon, para a Rede Globo de Televisão, entre outras empresas e instituições. É também idealizadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro, que tem como objetivo a publicação de produções literárias negras brasileiras e de tradução de produções estrangeiras, sobretudo feita por mulheres, em especial negras, indígenas, LGBTQI+ latinas e caribenhas.

Djamila Ribeiro, também escreveu o prefácio do livro “Mulheres, raça e classe” da filósofa negra e feminista Angela Davis, traduzida e lançada em setembro de 2015. A ativista participa constantemente de eventos, documentários e ações que envolvam debates de raça e gênero.

Djamila Taís Ribeiro dos Santos é uma das “Mulheres Plurais”!

Fontes: Wikpédia e Almas Pretas

 

 

Maria Firmina

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Uma das principais expoentes da cultura maranhense, Maria Firmina dos Reis, nasceu na Ilha de São Luís (MA), em 11 de março de 1822. Mulher miúda e reservada, não se deixava conhecer profundamente por não permitir aproximações muito íntimas. Amava na noite, o silêncio e a harmonia do mar.

Era filha de Leonor Felipa, mulata forra, que havia sido escrava na vila de São José de Guimarães. O nome do pai consta apenas no seu registro de óbito, datado de 17 de novembro de 1917, como João Pedro Esteves, homem de posses, sócio do antigo dono da mãe.

Usava o cabelo crespo preso sempre na altura da nuca, alguns relatos dizem que era parda, outros que era negra, o que torna ainda mais relevante o papel que desempenhou no cenário político machista e arcaico do seu tempo. Ela era contra a escravidão e a discriminação de gênero nas escolas.

Lia incansavelmente e se alfabetizou sozinha, tendo aprendido, também só, o francês. Em 1847, então com 22 anos, foi a primeira mulher de São José de Guimarães aprovada em concurso para professora, tendo recusado o palanquim (espécie de assento carregado nos ombros por quatro escravos) arranjado para comemorar o feito, declarando que iria a pé, “porque negro não era um animal para se andar montado em cima”.


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Em 1859 escreveu sua primeira obra, Úrsula, cuja personagem era uma heroína com desfecho infeliz. O livro trazia como personagens secundários os escravos Túlio e Susana, cujo discurso deixava clara a posição antiescravagista da autora, relatando as tristeza da escravidão, entre as quais a apavorante viagem no navio negreiro.

Maria Firmina continuou sua luta antiescravagista quando os movimentos abolicionistas ganharam mais força, a partir da 1880. Nesse ano fundou a primeira Escola Mista do Maranhão, Instituição aberta e gratuita. Em 1887 publicou o conto A Escrava. Posteriormente publicou a novela Guypeva e os poemas Cantos a Beira-Mar. Apesar da importância de sua produção literária, participando de forma ativa da vida intelectual da época, sua obra e seu nome foram praticamente apagados dos registros.

A maranhense morreu cega, sem glórias e pobre, aos 92 anos e é um dos casos mais injustos, quando se traça a evolução da literatura brasileira. Somente em 1973, mais de meio século após sua morte, o pesquisador José nascimento Morais Filho começou a resgatar sua memória, publicando a primeira biografia em 1975. Em comemoração aos 150 anos de Maria Firmina, o pesquisador publicou também “Maria Firmina dos Reis: fragmentos de uma Vida”, nessa ocasião, 11 de outubro, foi decretado o Dia da Mulher Maranhense. Hoje é a única mulher dentre os bustos da Praça do Pantheon, que homenageiam importantes escritores maranhenses, em São Luís.
Maria Firmina dos Reis é uma das “Mulheres Plurais”!

Fonte: Extraordinárias Mulheres que Revolucionaram o Brasil e Wikipédia.

 

 

Mãe Menininha do Gantois

Uma das lideranças religiosas mais importantes do mundo, Mãe Menininha do Gantois ou Maria Escolástica da Conceição Nazareth, nasceu em 1984, dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembleia, Centro Histórico de Salvador (BA), tendo como pais Joaquim e Maria da Glória Nazareth.

Descendente de africanos escravizados, ainda criança foi escolhida para ser Yalorixá (mãe-de-santo) do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, no Sudoeste da Nigéria.

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Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê – em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe Pequena). Menininha seria sua sucessora na função. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado e, em 1922, através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê, confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos, que assumiu definitivamente o terreiro em 18 de fevereiro daquele ano, tendo sido a quarta Yalorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras.

O nome de Menininha acredita-se que foi atribuído por conta de sua estrutura franzina. Aos 29 anos, casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de escoceses, com quem teve duas filhas, Cleusa e Carmem. “ Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Yalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não”, explicava ela.


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Motivo de intenso preconceito, que em muitos casos persiste até os dias atuais, o candomblé viu sua perseguição, ao menos no estado da Bahia, arrefecer a partir da década de 1930, no entanto uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Nesse contexto, Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. “Isso é uma tradição ancestral, doutor”, ponderava a Yalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. “Venha dar uma olhadinha o senhor também”. A Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados de 1970.

Com seu ativismo forte, Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos – mesmo que essa uma abertura ainda seja vista com certo estranhamento em muitos terreiros. O analista e professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia diz que “como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas”.

Mãe Menininha do Gantois nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitirem a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé. Morreu em Salvador, em 13 de agosto de 1986, de causas naturais, aos 92 anos de idade. O seu terreiro está localizado na rua Mãe Menininha do Gantois (antiga rua da Boa Vista, renomeada em 1986), no Alto do Gantois, bairro da Federação, em Salvador. Após a sua morte, seus filhos de santo deixaram seu quarto intacto, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos. O aposento foi transformado no Memorial Mãe Menininha e é uma das grandes atrações do Gantois.

Mãe Menininha do Gantois é uma das “Mulheres Plurais”!

Fonte Wikipédia

 

Carolina de Jesus

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Tendo nascido em Sacramento, no estado de Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus mudou-se para São Paulo em 1947, momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. Tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.

Para a mulher negra Carolina de Jesus, a vida tinha muitas cores, embora isso não representasse necessariamente uma referência positiva. A fome para ela, por exemplo, era amarela. Em um trecho do primeiro livro, a autora discorre sobre o momento em que passou fome. “Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos.”

 


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Em 1961, lançou um disco com o mesmo título de seu primeiro livro, no qual interpreta 12 canções de sua autoria, entre elas O Pobre e o Rico. “Rico faz guerra, pobre não sabe por que. Pobre vai na guerra, tem que morrer”, diz um trecho da canção. Carolina de Jesus publicou ainda em 1963 o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios. Todos esses títulos foram custeados por ela e não tiveram vendas significativas. Após a morte da escritora, em 1977, foram publicados o Diário de Bitita, com recordações da infância e da juventude; Um Brasil para Brasileiros (1982); Meu Estranho Diário; e Antologia Pessoal (1996).

Carolina Maria de Jesus é uma das “Mulheres Plurais”!

Fonte: Agência Brasil