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Defensoria Pública ajuda no restabelecimento de relações entre pai e filhas após quase 50 anos

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Publicado em 03, março de 2021 às 14:08

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A busca pelo bem estar e garantia de Direitos de seus assistidos é papel da Defensoria Pública do Estado do Piauí. Em um período tão difícil como o que se passa por causa da pandemia, ver histórias de reencontros e restabelecimento de laços familiares, fortalece ainda mais a missão defensorial. No dia  01 do corrente mês, a Defensoria Pública se deparou com a situação do idoso J. A. dos S., separado de sua família, há quase 50 anos.

A história de J. A. dos S. iniciou com a sua saída de Teresina, em meados da década de 70, na busca por emprego e melhores condições de trabalho. O destino foi o estado do Tocantins. Sem contato e sem dinheiro, o teresinense passou mais de 40 anos sem conseguir estabelecer qualquer tipo de contato com os seus familiares, até a última segunda-feira, 1º de março de 2021.

Acompanhado de um ex-patrão e outras pessoas, J. A. retornou ao Piauí na busca pela sua família. Partindo do Tocantins, no município de Paranã, distante 1.466,8 km de Teresina, apenas com o nome de alguns familiares, e uma vaga lembrança de sua antiga residência, localizada no bairro Parque Piauí, zona Sul da capital.

Inicialmente, a busca não teve o resultado esperado. Com quase meio século entre a  partida de J. A. e o seu retorno, muitas coisas na capital piauiense não permaneceram as mesmas, e a residência de seus familiares foi uma delas. Sem saber o que fazer com o idoso, as pessoas que o acompanhavam procuraram a Defensoria Pública do Estado do Piauí, por meio do Núcleo de Defesa do Idoso, que esclareceu que alguns procedimentos deveriam ter sido adotados antes de trazer J. A. ao Piauí, como o acompanhamento pela assistência social local, visando buscar informações sobre os familiares. Também foi orientado que a permanência do idoso em Teresina, sem que alguém se responsabilizasse pelos seus cuidados, sem moradia, e sem documentos, poderia deixá-lo em uma situação maior de vulnerabilidade e que, mesmo que os familiares fossem encontrados, não se saberia como seria o acolhimento do mesmo após longos anos de ausência.

Assim, diante da inexistência de informações sobre a família do idoso e da urgência que as pessoas que o trouxeram tinham de retornar a Tocantins, a primeira recomendação dada foi o retorno para a cidade de Paranã, para que as medidas cabíveis fossem adotadas. Foi explicado ao idoso que seu sonho de reencontrar a família não havia sido destruído, apenas estava sendo adiado para obtenção de maiores informações. Perseverantes no êxito da missão,  antes do retorno J. A., as pessoas que o trouxeram fizeram uma última tentativa e retornaram ao bairro Parque Piauí, seu antigo bairro, e ao questionar o garçom de um restaurante se conhecia alguns dos seus familiares, para sua surpresa, obtiveram resposta  positiva.

A responsável pelo caso, Defensora Pública Sarah Vieira Miranda Lages Cavalcanti, titular da 2ª Defensoria Pública do Idoso, ao chegar na sede do Núcleo no último dia 02, encontrou com o idoso, duas filhas e uma neta. Foi feita uma reunião de conciliação em que narraram como se deu o reencontro, o acolhimento dado ao assistido, foi formalizado os cuidados com o idoso, moradia,  e estabelecidas as diligências necessárias para a obtenção dos documentos do mesmo. A Defensora Pública comentou que esse caso demonstra explicitamente a importância da família na saúde física e emocional dos idosos, que o fortalecimento dos laços familiares devem sempre ser buscados e que o abrigamento é a exceção e a última alternativa a ser cogitada em se tratando do público idoso em situação de vulnerabilidade. “Diante de todas as adversidades, a família encontrou forças e amor para superá-las, no que resultou na solução extrajudicial do caso. Nem sempre isso acontece. Às vezes as pessoas da família têm mágoa, e não desejam a reaproximação, mas diante da compreensão e perdão dos envolvidos, a história do seu J. A. foi exitosa. Agora, resolvido o acolhimento do idoso, a Defensoria Publica está diligenciando para obter os documentos do assistido, promovendo seu direito a exercer os atos jurídicos per si”, explica Sarah Miranda.

Assim, foi possível a J. A. restabelecer o contato com as filhas que deixou ainda crianças. Uma delas, S. R. , hoje com 50 anos de idade, comemorou o reencontro com o pai, do qual não possuía qualquer lembrança. “Eu nunca imaginei em o reencontrar. Quando ele saiu eu tinha apenas um ano de idade, eu nem o conhecia. Minha mãe é que sempre falava dele pra mim. Mas nada é impossível. Deus colocou ele no meu caminho. Para mim, ontem de tarde foi o dia mais feliz da minha vida”, disse.