Uma atuação célere da Defensoria Pública do Estado do Piauí assegurou que um homem em situação de vulnerabilidade, com amputação bilateral das mãos, preso por suspeita de furto simples, tivesse a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. A decisão foi proferida durante o plantão judicial e reconheceu a necessidade de proteção à dignidade da pessoa humana.
O assistido foi preso em flagrante com a fixação de fiança no valor de R$ 1.621,00 e, durante a audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva.
A Defensoria Pública, então, impetrou Habeas Corpus em favor do assistido, demonstrando que ele não possuía condições financeiras de arcar com o valor estabelecido, destacando ainda a grave condição de saúde do assistido. Em razão da amputação bilateral das mãos, ele se encontra em estado de extrema debilidade física, o que torna incompatível sua permanência em uma unidade prisional comum.
Diante desse cenário, a instituição sustentou a aplicação de medida humanitária, com a concessão da prisão domiciliar, conforme previsão legal para pessoas em situação de saúde fragilizada, como forma de resguardar a dignidade e a integridade física do assistido.
O Desembargador Antônio Lopes de Oliveira, relator plantonista do processo, acolheu parcialmente o pedido da Defensoria Pública. Em sua decisão, ele reconheceu a impossibilidade do assistido de pagar a fiança, dispensando-o do valor, bem assim determinou a conversão da prisão preventiva para prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. A medida busca garantir o cumprimento da decisão judicial em ambiente compatível com a condição de saúde do assistido, sem prejuízo à sua dignidade.
A defensora pública Daisy dos Santos Marques, responsável pela atuação no processo, ressaltou a importância da decisão:
“A relevância da atuação defensorial no caso é notória diante da condição física do assistido, que sofreu amputação bilateral dos membros superiores, de modo que depende integralmente de terceiros para se alimentar e para sua higiene pessoal, restando inviável sua permanência no sistema prisional sem que sua dignidade humana reste seriamente violada. Além disso, o fato pelo qual ele está sendo acusado tem pena que sequer comporta o regime fechado, em caso de eventual e futura condenação.”
Segundo a defensora, situações como essa reforçam o papel essencial da Defensoria Pública na promoção do acesso à justiça e na proteção dos direitos fundamentais, sobretudo das pessoas mais vulneráveis. A atuação institucional busca assegurar que a dignidade humana seja respeitada e que nenhum cidadão fique desamparado diante do sistema de justiça por falta de condições financeiras.